sábado, janeiro 12, 2008

“Que tristeza”

Caros Leitores.

Se formos aqui enumerar a quantidade de matérias que fizemos a respeito do prédio situado à rua Dr. Afrânio, n° 178, prédio este onde funcionou a extinta Cia. Prada de Eletricidade até 1973, quando a mesma foi encampada pela Eletrobrás que a passou em ato contínuo para a CEMIG, funcionando a mesma no local até 1996, quando novo prédio na Felício dos Santos passou a abrigá-la, e hoje também desocupado, poderíamos passar o dia todo e não chegaríamos ao final das narrativas.

E o tempo foi passando. Dia após dia. Mês após mês. Ano após ano. E nada, mas nada mesmo foi feito ou tem sido feito a respeito de sugestões para o uso do mesmo para finalidades várias, pelo Município ou pelo Estado, sob empréstimo do Município.
No início do abandono do imóvel em 1997, já nos manifestávamos quanto ao seu uso, finalidades várias.

Infelizmente nada foi feito. O abandono foi total. Depredação, antro de malandros, vadiagem, estragos pela ação do tempo, e gradativamente a coisa foi e vai piorando.


Que tristeza adentrarmos pela rua Dr. Afrânio e deparar-nos com aquele mausoléu ao relento, sujeito a todas as ações de maus elementos, como pelo tempo implacável que a tudo destrói se não for usado e conservado de acordo com suas necessidades.

Um belo dia chega uma notícia auspiciosa.
Em uma negociação com o Estado, o Município adquiriu o grande e antigo patrimônio que tanto foi útil à comunidade, tantas famílias dele sobreviveram e tanta história deixou para Araguari.
O prédio agora é da Prefeitura Municipal de Araguari.

Planos e mais planos foram feitos para sua restauração e uso em benefício da população. Tomamos conhecimentos de vários, inclusive conversamos a respeito com as responsáveis do projeto.

Quando da assinatura da escritura, lá na sede da SAE, convidados, fizemos uso da palavra em nome da extinta Cia. Prada de Eletricidade. Relatamos a existência da empresa e suas atividades na cidade durante os anos que deteve a concessão da energia elétrica. Conclamamos até o engenheiro que restaurou o prédio da Goiás, a concorrer para a restauração do velho e querido prédio da Prada.
Em matérias escritas a respeito, relatamos o requerimento aprovado e não cumprido para a construção de um obelisco em homenagem à Cia. Prada de Eletricidade, na pessoa de seu fundador, Comendador Agostinho Prada. Foi de autoria do então vereador Gilmar Cabral. O Prefeito determinou a construção do mesmo, porém, motivos que desconhecemos, não deixaram executar a obra.

Sugerimos quando da aquisição do imóvel pela Prefeitura, que o mesmo fosse restaurado e nele fosse prestada a homenagem homologada; que recebesse o nome sugerido. Mais ainda, sugerimos também que em seu salão principal, fosse feita a galeria dos ex-gerentes devidamente ilustradas pelas suas fotografias. Sob esta galeria, fossem colocados os nomes de todos aqueles que passaram pela Prada, prestando serviços relevantes à coletividade e dela tirando a sobrevivência sua e de seus familiares. Isto no decorrer dos anos.
Mas nada, nada foi feito. Lá está o antigo, sólido, memorável prédio abandonado. Jogado para as traças, cupins, marginais e outras finalidades não elogiáveis.

Fizemos sugestões para uso do imóvel. Finalidades várias. Houve um plano de transformar o mesmo para uso de idosos. Artesanatos e finalidades outras que não trariam movimento para a rua Dr. Afrânio, outrora a rua dos grandes comerciantes.

Fazemos novas sugestões agora. Fazemos e repetimos as já feitas, para que o movimento que a Prada trazia para a rua, volte, mas volte avolumado, tornando a mesma uma verdadeira rua comercial.

Como conhecemos a fundo o imenso prédio, sugerimos que o mesmo seja usado simultaneamente, sendo em seu salão principal, um “Posto de Identificação do Cidadão”. Grande espaço, acomodações confortáveis tanto pelo cidadão como para os funcionários. Observem, todos necessitam sua Carteira de Identidade. O acesso de pessoas interessadas em tirar o documento, substituí-lo, tirar 2ª via do mesmo irá até lá. Daí, basta o comércio saber usar de criatividade que os atraiam.

Na parte do salão, existe um escritório onde foi a gerência. Por que não instalar ali um “Posto Policial”? Nele as ocorrências poderiam ser registradas, e na grande garagem existente no pátio estacionamento dos veículos para os atendimentos.

Vamos para a parte interna. Nela encontramos um imenso galpão onde funcionava o almoxarifado. Ele pode abrigar também o “Corpo de Bombeiros”, com escritório e dependências para os equipamentos usados pelos soldados do fogo. Garagem para os veículos? O grande galpão citado acima abriga vários veículos.

Logo após, encontramos outro cômodo de grandes proporções. Era onde funcionava a seção de medidores. Instala-se nele tranquilamente o “PROCON”. Como o povo necessita demais dele, o movimento será imenso com o vai e vem de pessoas em busca de seus direitos.

Mais instalações em seqüência dão continuidade ao imóvel. Era onde funcionavam a sala de descanso dos funcionários e os arquivos gerais de toda documentação da Prada.
Abrindo aqui um parêntese, quando da encampação da Prada com seu repasse para a CEMIG, veio para implantar o novo sistema, uma equipe de Araxá, chefiada por um tal de Jacinto de tal.

Este elemento, dotado de alto grau de cultura, determinou que todo o arquivo com o registro de tudo, mas tudo mesmo, da Empresa Força e Luz e posteriormente Cia. Prada de Eletricidade, fossem incinerados, alegando serem desnecessários para as novas atividades. Claro, para os novos serviços não serviriam, mas para o Patrimônio Histórico e Cultural de Araguari, seriam uma de suas principais peças da história de nossa cidade. Foram queimados três cargas do caminhão, carregados pelos funcionários cumpridores de ordens, de documentos históricos de Araguari. Lamentável.

Voltando ao assunto, estes cômodos, poderiam servir de arquivos devidamente separados para cada órgão instalado no prédio restaurado.

Pelo lado esquerdo, ladeando o grande pátio de manobras, encontramos instalações que serviam para as oficinas de consertos em transformadores e máquinas da usina quando necessitavam de reparos. Existia também um confortável apartamento onde residiu um dos ex-gerentes, o Paulo Meyer Muller. Posteriormente, funcionários nele residiram como zeladores. Sugerimos que todo este espaço, seja aproveitado pela Secretaria de Saúde, instalando nele um “Posto Médico”, a “Farmácia” e no apartamento, as instalações para os plantonistas.

Lembrem-se caros Leitores, este imenso imóvel, tem acesso pelas ruas Dr. Afrânio e Rio Branco. Isto vem torná-lo ainda mais útil e versátil para as finalidades sugeridas por nós.

Órgãos públicos, estaduais e municipais, farão uso das dependências. Isto não vem ao caso. A reciprocidade de prestação de serviços de ambos, faz-se necessária e é feita de longos anos. Agora, poderão serem úteis à sociedade em conjunto.

E quanto a rua Dr. Afrânio, já pensaram os caros Leitores o movimento que irá ter? As finalidades várias de uso do prédio devidamente restaurado, fará com que o progresso e desenvolvimento retorne naquele logradouro público, trazendo benefício para todos.
O título desta matéria, “Que Tristeza”, será substituído por outro que faça jus às modificações e implantações efetuadas. Faremos um Ponto de Vista com o título de “Que Alegria”, “Que Beleza”!

Creiam todos, se isto for feito, aplaudiremos de pé quem tiver a ousadia, a coragem, a determinação e a vontade de realizar tal sonho dos moradores e comerciantes da rua, assim como de toda a população.

Era o que tínhamos.
Que Deus nos abençoe.
Um abraço.
Fotos: Acervo pessoal e

Um comentário:

Mário Ferreira disse...

Recebi seu ponto de vista com seus diversos assuntos. Como sempre admiro sua organização, suscetibilidade, argúcia, e facilidade no escrever.
Parabens pelas bodas de rubi, 40 anos é tempo pra caramba meu!
Quanto ao prédio da Prada, faço minhas suas palavras. Mas, infelizmente parece que os políticos só veêm o que lhes interessa, não estão atrás de boas idéias. Um conglomerado de departamentos alí economizaria aluguéis, facilitaria para o público, traria movimento para aquela rua quase morta e os sofridos contribuintes agradeceriam, seria um atendimento centralizado. Meu caro amigo as pessoas de bons costumes devem sair do comodismo e arregaçar as mangas. Eu particularmente não acredito neste sistema que chamam de democracia da forma que esta implantado, direitos para o ápice da piramide social e obrigação para a base. se virarmos a pirâmide ela não se sustenta por que este sistema é falso e desumano. Mas eu ainda creio no ser humano, acredito em reencarnação, e que a cada vida melhoramos um pouco. Esta semana estarei enviando ao Jornal Contudo na sexta mais um rabisco chamado Entretanto, falo sobre isto. Leia. Beijos na bochecha. Não esmoreça nunca, lembre-se do beija flor molhando as asas para apagar o incendio na floresta. Somos espiritos encarnados meu caro irmão e como tal somos eternos. Deus assim quis.